17 e 18 de março de 2017

Universidade Federal de Juiz de Fora – Juiz de Fora – Minas Gerais

PALESTRANTES

DEBATEDORES

 

Mesa 1:  Aspectos históricos e filosóficos

Debatedor: Paulo Dalgalarrondo - UNICAMP

Professor titular de Psiquiatria da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), doutorado em Psiquiatria pela Universidade de Heidelberg (Alemanha) e em antropologia social pela UNICAMP. Autor de livros como "Evolução do cérebro: sistema nervoso, psicologia e psicopatologia sob a perspectiva evolucionista", "Religião, psicopatologia e saúde mental" e "Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais".

 

Mesa 2: Achados empíricos e suas interpretações

Debatedor: Wagner Farid Gattaz – FM - USP

Professor Titular de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e Diretor do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da FMUSP. Doutorado em Medicina e livre-docência em Psiquiatria pela Universidade de Heidelberg (Alemanha). É Pesquisador nível IA do CNPq, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências de Heidelberg, Alemanha, e Sócio Honorário da Sociedade Alemã de Psiquiatria Biológica. Foi agraciado com a Ordem Nacional do Mérito Científico pelo Presidente da República (2006). Recebeu inúmeros prêmios destacando-se em 2009 o Prêmio de Pesquisa World Federation of the Societies of Biological Psychiatry. Em 2012 recebeu o Prêmio Jabuti. Possui mais de 442 trabalhos científicos publicados em revistas internacionais; esses trabalhos receberam mais de 7.000 citações na literatura científica, resultando num índice H = 44.

 

Mesa 3: Modelos da relação mente-cérebro

Debatedor: Wellington Zangari – Psicologia - USP

Professor Doutor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP. Doutorado e pós-doutorado em Psicologia pela USP. Vice-Coordenador do Laboratório de Psicologia Social da Religião e Coordenador do INTER PSI - Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais, ambos do Instituto de Psicologia da USP.

 

 

 

PALESTRANTES

 

Wilson Modesto Pollara

Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), mestrado e doutorado em Clínica Cirúrgica e Livre-Docente pela Faculdade de Medicina da USP.  Médico do HC-FMUSP. Secretário Adjunto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

 

Saulo de Freitas Araujo
lattes.cnpq.br/3032433208056386

Psicólogo com doutorado em filosofia (Unicamp/ Univ Leipzig) e pós-doutorado pela Universitat Autònoma de Barcelona. Atualmente, é professor associado do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Diretor do NUHFIP (Núcleo de História e Filosofia da Psicologia Wilhelm Wundt) da UFJF. Em 2013, recebeu o Early Career Award da Divisão 26 (História da Psicologia) da American Psychological Association. Sua área de pesquisa envolve a história e a filosofia da psicologia, incluindo o problema mente-cérebro.

Resumo da apresentação

O Problema Mente-Cérebro: Uma Perspectiva Histórico-Filosófica

O problema mente-corpo é um dos problemas filosóficos mais antigos e desafiadores, com importantes implicações para a psiquiatria.  Entretanto, esse assunto não tem sido adequadamente discutido na literatura psiquiátrica e na formação em psiquiatria. O objetivo desta conferência é mostrar a dimensão histórica e filosófica do problema, enfatizando o desenvolvimento conceitual de duas posições contemporâneas: fisicalismo e anti-fisicalismo. De acordo com o primeiro, a mente é um produto da atividade cerebral. Para o segundo, a mente é algo diferente da atividade cerebral, embora esteja de alguma forma conectada a ela. Inicialmente, eu vou mostrar o que está em jogo no problema mente-cérebro. Em seguida, eu vou destacar algumas dificuldades conceituais subjacentes a estas tentativas de resolver o problema. Finalmente, eu vou explicar porque o problema mente-cérebro ainda não foi resolvido e permanece aberto a novas discussões.

 

Homero Vallada
lattes.cnpq.br/2382415855376890

Professor Associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), coordenador do Laboratório de Psicopatologia e Terapêutica Psiquiátrica (LIM23) do HC-FMUSP. Médico psiquiatra pela USP, doutorado pela University of London e pós-doutorado pelo Karolinska Institutet. Bolsa de Produtividade em Pesquisa 1D do CNPq. Suas principais linhas de pesquisa envolvem as áreas da genética (epidemiológica, molecular e farmacogenética) de transtornos psiquiátricos e mais recentemente as áreas de religiosidade/espiritualidade

Resumo da apresentação

A questão cérebro-mente na psiquiatria dentro de uma perspectiva histórica.

A Psiquiatria é uma das áreas do conhecimento em que a questão mente-cérebro tem enorme relevância. Em diferentes contextos clínicos, os psiquiatras se deparam com as variadas experiências mentais objetivas e subjetivas de seus pacientes, no qual acabam elaborando dentro da prática do dia a dia seus próprios pressupostos sobre a mente, dentro de um leque de posições que vão desde o materialismo (a mente sendo um produto do cérebro) ao anti-materialismo (a presença ou existência de uma alma). Naturalmente tais pressupostos e crenças influenciam a visão sobre a natureza das condições psiquiátricas, com consequências na abordagem terapêutica. A apresentação discutirá como a psiquiatria tem visto o problema mente-cérebro ao longo dos últimos 200 anos.

 

Prof. Geraldo Busatto Filho
lattes.cnpq.br/3519456549500534

Professor Titular do Departamento de Psiquiatria da FMUSP, coordenador do Laboratório de Neuroimagem em Psiquiatria (LIM21) do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico psiquiatra pela USP, doutorado e pós-doutorado em Psiquiatria pela University of London. Bolsista de Produtividade em Pesquisa 1A do CNPq. Suas linhas de pesquisa principais envolvem o uso de métodos de ressonância magnética, PET e SPECT para a investigação de esquizofrenia e outros transtornos psicóticos, demências e transtornos do humor, associando os dados de neuroimagem a outros biomarcadores.

Resumo da apresentação

Mente como produto da atividade cerebral – estudos em neuroimagem

Serão apresentadas pesquisas em neurociência, especialmente em neuroimagem, que abordam as relações entre mente e cérebro na normalidade e na investigação da fisiopatologia dos transtornos mentais. Serão discutidas as implicações destes achados para a compreensão da mente, dos transtornos psiquiátricos e da natureza humana.

 

Dr. Mario Beauregard
drmariobeauregard.com

neurocientista de renome internacional, atualmente vinculado à Universidade do Arizona. Escolhido em 2000 pela World Media Net como um dos “Cem Pioneiros do século XXI”. Já ministrou palestras em vários continentes e recebeu inúmeras distinções. Coautor do “Manifesto for a Post-Materialist Science”, Dr. Beuregard também publicou dois livros ‘The Spiritual Brain’ (traduzido para o português ‘O Cérebro Espiritual’) e ‘Brain Wars: The Scientific Battle Over the Existence of the Mind and the Proof that Will Change the Way We Live Our Lives’ (ainda não traduzido para o português).

Resumo da apresentação

A mente para além do cérebro

A alguns séculos, os cientistas acreditam que a matéria é a única realidade. Essa crença no materialismo insinua que a mente nada mais é que uma atividade física do cérebro e que nossos pensamentos não podem ter nenhum efeito sobre nossos cérebros e corpos, nossas ações e o mundo físico. Em sua palestra, Dr. Beauregard apresentará evidências empíricas convincentes – relacionadas à influência mental sobre a atividade cerebral, fenômenos psi, experiências de quase-morte, experiências espirituais e física quântica – de que a mente é muito mais do que a atividade do cérebro. Tais linhas de evidências indicam que o materialismo é apenas uma superstição e que  a mente é não-local, ou seja, ela pode operar para além do cérebro e do corpo. Dr. Beauregard também mostrará que existe uma profunda interconexão entre a mente e o mundo físico e que a mente é fundamental no universo, isto é, não pode ser reduzida a nada mais básico.

 

Osvaldo Pessoa Jr.
www.fflch.usp.br/df/opessoa/

Professor livre-docente de filosofia da ciência no Departamento de Filosofia, FFLCH, Universidade de São Paulo (USP). Graduação em Física (1982) e Filosofia (1984) pela USP, mestrado em física experimental na Unicamp, em 1985, e doutorado no Depto. de História & Filosofia da Ciência na Indiana University, EUA, com tese sobre o problema da medição na física quântica (1990). Além de trabalhar com filosofia da física, desenvolve pesquisa em “modelos causais em história da ciência” e em filosofia da mente.

Resumo da apresentação

Mente como produto da atividade cerebral: materialismo e o espectro pampsiquista

O materialismo é a concepção de que a consciência é um produto do encéfalo e que na morte do corpo a consciência individual desaparece. Os materialistas tendem a ser céticos com relação à parapsicologia, explicando relatos de premonição, por exemplo, como sendo fruto de coincidência e da tendência humana de projetar significado nessas coincidências.

Há diferentes tendências no materialismo contemporâneo, das quais saliento três: (i) o eliminativismo tende a menosprezar a importância da mente; (ii) a tese da identidade considera que um estado mental é idêntico a um estado físico-químico do encéfalo; (iii) o emergentismo considera que a mente é irredutível ao encéfalo, apesar de desaparecer na morte do corpo.

Nesta apresentação, descreverei uma interpretação da tese da identidade que não tende ao eliminativismo, mas que considera que as qualidades mentais são propriedades reais e físicas do mundo. Tal posição é um exemplo de “qualitatismo” ou “protopampsiquismo”, e faz parte do vasto e interessante espectro do pampsiquismo, que congrega materialistas e espiritualistas.

 

Alexander Moreira-Almeida
lattes.cnpq.br/9072644751174322

Professor Associado de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora-UFJF, é fundador e diretor do NUPES (Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da UFJF). Coordenador das seções em espiritualidade e psiquiatria da Associação Mundial de Psiquiatria e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Coordenador da elaboração do Position Statement on Spirituality and Religion in Psychiatry da World Psychiatric Association (WPA). Residência e doutorado em Psiquiatria pela USP (2005) e pós-doutorado pela Duke University, EUA (2006). Editor do livro "Exploring frontiers of mind-brain relationship" (Springer, 2012).

Resumo da apresentação

Mente como elemento irredutível, cérebro como instrumento

Será apresentado um estudo sobre os equívocos e distorções da abordagem do problema mente-cérebro feita nas principais revistas de psiquiatria do mundo. Em seguida, será apresentada e discutida a hipótese de que a mente não é um produto da atividade cerebral, mas de que o cérebro é um instrumento para a manifestação da mente.

 

 

SIMPÓSIO INTERNACIONAL - MENTE E CÉREBRO - 2016